O mangá e seus estilos

Por Rafa Curtinhas

E aí galera, como estão vocês?! Após um longo período de atraso e de muitos imprevistos eu finalmente tirei um tempinho livre pra escrever este artigo. Haaaaaaa… Que falta de educação a minha, nem me apresentei - tsc, tsc, tsc – eu me chamo Rafael Curtinhas e sou um dos colaboradores da Equipe Laguna. Eu também assino a arte do zine Marcel, que vocês podem conferir aqui no site!!

Apresentações feitas, vamos ao que realmente interessa; no meu artigo de estréia escreverei sobre algo que a maioria das pessoas já sabem – ou pelo menos, acham que sabem – que são os vários estilos do mangá; aí você me pergunta: "Haaaaaaa, mas pra que eu vou querer saber disto?" E eu lhe respondo: "PRA ADQUIRIR UM POUCO MAIS DE CONHECIMENTO SOBRE AQUILO QUE VOCÊ ESTÁ DESENHANDO"! Vocês, também, devem ter achado o título meio esquisito (!), mas a minha intenção foi, realmente, colocar este "duplo sentido" porque o que eu quero deixar bem claro é que, apesar de existirem "N" estilos de mangá, o que conta, realmente, é o seu toque pessoal! Independente de você seguir uma ou outra linha, se você não criar uma "identidade", – um jeito próprio de arte finalizar ou um traço diferente nos seus desenhos – por mais que você evolua na sua estrutura, seu desenho sempre aparentará que está faltando alguma coisa… Acreditem, quando você encontra a sua identidade no traço, você evolui… hehehe… Mas parece que eu fugi do tema, né??!! Então vamos deixar isto para um outro artigo. Uma ultima coisa que eu gostaria frisar aqui é de que eu não sou o dono da verdade e que, se por ventura, eu omitir algum aspecto aqui, conto com a colaboração – e as mensagens – de vocês, ok?!

A ORIGEM – Pra falar a verdade, o mangá é um elemento bem intimo da cultura japonesa. A palavra "mangá" nasceu da junção de duas outras palavras – MANKETSU (conto ou estória) e FÁSHIKO (ilustração). O mangá mais antigo do qual se tem conhecimento data de 1702 (TOBAE SANKOKUSHI), e ele já possuía divisão de quadrinhos e balões. As origens do mangá são provenientes do "TEATRO DAS SOMBRAS" ou "ORICOM SHOHATSU"… hehehe, calma, não tem nada de satanismo aqui!! O tal teatro levava esse nome porque se referia a um grupo de artistas que, na época do Japão Feudal, percorria os vilarejos, contando lendas antigas por intermédio de fantoches. E aí sabe como é… as lendas começaram a ir pro papel e as editoras de mangá começaram a aparecer a partir de 1920 e viveram um grande auge até a década de 40, quando se iniciou um dos períodos mais negros da historia humana, a segunda grande guerra.

Entretanto, após 1945, a coisa voltou com força total – graças ao plano Marshall, que destinou verbas para os livros japoneses. É exatamente neste ponto que surge Osamu Tezuka ou, para nós que somos íntimos: "MEEEEEEEEEEEEESTRE"!! Sim!! Mestre sim!! Porque se existe alguém que tem que levar os méritos por colocar o mangá no estágio que está, esse alguém é Ozamu, que revolucionou a cultura japonesa e inspirou milhares de artistas – AHEEEE NÓS DAQUI DO BRASIL TAMBÉM!! EEEEEEEH -, e uma serie de outros artistas antigos como, por exemplo Kazuo Koike e Goseki Kojima, criadores de "RONIN YASHA", ou se preferirem, "LOBO SOLITÁRIO". Agora, se eles previram o tão quanto significativo o esforço deles e de outros milhares foi para formar, o "estilo" do mangá como conhecemos atualmente?! Ahe eu não sei! mas, quem sabe eles não fizeram a coisa sem nenhum interesse a não ser o de colocar no papel, seus anseios, ideais e mensagens??!!

OS ESTILOS DE MANGÁ – Se você for prestar bem a atenção, o mangá evoluiu bastante e fugiu da principal inspiração de Tezuka, a "WALT DISNEY"; ou seja, de um desenho balonada e infantil, vislumbramos traços, ainda sim caricatos, mas com anatomias bem mais trabalhadas… Há de se frisar que, mangá é muito mais do que um “desenho de aparência diferente e com olhos grande” - tsc, tsc, tsc - a narrativa no mangá é diferente, usa-se uma quantidade limitada de quadros – no máximo 8 quadros – e o mínimo de texto, porque esta arte japonesa foi concebida para demonstrar movimento – ahe a razão das linhas de ação. Enfim, estou dando esta pincelada porque no final vou falar sobre uma coisa interessante e, esta noção básica que coloquei aqui, vai servir pra ilustrar o tema que vou abordar. Existem quatro principais estilos no mangá; são eles o "GEKIGÁ", "SHOJO" e o “SHONEN”. Os demais estilos são TODOS DERIVAÇÕES DESTES TRÊS PRINCIAPAIS. Mas não se preocupem, vou abordá-los aqui também. Existe, também um gênero infantil, entretanto eu peço desculpas por não me aprofundar muito no "mangá infantil" devido a minha falta de conhecimento do mesmo – GOMEN NASSAIIIIIIIII – mas não é nenhuma falha que um próximo artigo não possa resolver!!

O ESTILO SHOJO – Como já diria a velha e boa educação… "As damas primeiro"… hehehe… então vamos lá; falemos do shojo – ou shoujo. Vocês já devem ter ouvido muita coisa do tipo; "Blergh, mangá pra meninas" ou "Argh, muito fofinho" ou "Ah, não vou ler isto porque é coisa de menina". Pois bem, ESQUEÇAM ESTAS DEFINIÇÕES PRECONCEITUOSAS!! O shojo tem características bem marcantes como, principalmente, uma anatomia "alongada" e "esguia" olhos bem grandes e acentuados… Enfim, trocando em miúdos, nos shojos "clássicos" as personagens possuem uma aparência anatômica "meio frágil"; as meninas são desenhadas para parecerem meigas e mais emotivas do que o normal e os homens, apesar, também, da aparência frágil, são desenhados para serem os "príncipes encantados". A arte final do shojo é leve. Bem leve mesmo!! – quando eu digo isto quero dizer que 90% dos traços é feito com canetas nankim – o uso de reticulas também é importantíssimo!! Efeitos de luz e sombra são bem solicitados e bem sutis!! Um shojo tem, na maioria das vezes, uma aparência "iluminada"!! Agora, ante a tudo isto há uma coisa que ,com certeza, eu creio que seja a principal característica do shojo e esta coisa é a ênfase aos dramas e as personalidades das personagens!! Não é transformar a coisa num "novelão"… Pelo amor de deus!! Shojo não é "novelão"!! Shojo mostra de forma inteligente estórias que exploram os nossos sentimentos!! É por isso que esse gênero de estória cativa!! Agora, os gêneros se modificam; às vezes evoluem ou não – dependendo do gosto do fã e principalmente pela época que vivenciamos. Então, shojos de garotas estereotipadas e com aparência "meiguinha", ao meu ver, já são coisas do passado. Pois, para um gênero que enfatiza os dramas humanos, tem de haver uma adequação!! Então, se quiserem desenhar um shojo, a primeira coisa que vocês terão de pensar é na estória e, não obstante, na estória particular de cada personagem!! Pancadaria rolando solta num shojo?!! Não vale!! Eu recomendo dois: NANA; e um que estou lendo no momento; ALICHINO – este aqui vocês só acharam em "fanzube".

O ESTILO SHONEM – HAAAAAAAAAAAAAA… então agora vamos para o "preferido da galera"!! O shonem!! Shonem é o mangá para meninos. Então, coloque aí todos os atrativos para a rapaziada; Muuuuuuuuita ação, mulheres gostosas, porradaria adoidado, mulheres gostosas, robôs hiper, ultra poderosos, mulheres gostosas… Hahahaha… Shonem se baseia na ação e aventura – não que isto não ocorra no shojo mas, aqui eles são a ênfase. A arte final do shonem varia de acordo com a estória; as vezes adota tons soturnos ou pode ser mais mediana. Mesmo assim ela nunca terá a leveza de um shojo!! Anatomicamente os personagens são fortes e as mulheres bem torneadas. Na maioria das vezes o lado psicológico deles não é bem trabalhado dando margem para o nascimento de "clichês" do tipo; "o burrão esfomeado que bate pra caramba, mas que é bem amigo e, não obstante, todo nervosinho", e por ahe vai… Claro que aqui também há nuanças… eu não conheço outra maior se não Evangelion; um shonem que tem como ênfase os dramas individuais dos personagens. Há todos os elementos típicos de um shonem nele; robôs, lutas, aventura, mulheres… Mas ele não segue o padrão "porradaria desmiolada" (!), e, até mesmo sua arte-final – pelo menos no mangá – tende a uma leveza incomum!!

ESTILO GEKIGÁ – Então chegamos ao "mais adulto dos estilos do mangá"; esqueçam figuras caricatas ao extremo. No gekigá você desenhará de forma, quase, "clássica". Se existe um artifício bem utilizado aqui são as hachuras. Elas dão um peso ao desenho e trabalham de uma forma bem intrincada a reticulagem. Ao contrario dos demais estilos – que variam muito no enquadramento – no gekigá usa-se muito o chamado "plano americano" – que foca as personagens da cintura pra cima. São bem comuns aqui estórias de samurais e yakuzas intrincando de forma mais real, política, convivência, trabalho e estória.

OS DECENDENTES – É aqui que a coisa muda de figura pois nascem os "filhos" dos estilos principais. Os filhos do mangá antigo são todas as novas estórias que passam a misturar gêneros, e métodos; seja no arte–final, enquadramento ou desenho – de uma forma geral – ou no ritmo da estória… Exemplos?! Inúmeros!! Evangelion, blame , holic, blade of the immortal… A cada nova mixagem o mangá se reconstrói e vira um novo estilo; Entretanto eles ainda são capazes de se agruparem formando novos gêneros, temos como exemplo; O "JOSEI" – que possui como publico alvo as donas de casa e trabalhadoras femininas e que aborda temas inerentes ao seu cotidiano. É um gênero com temática adulta (gekigá) mas com visual de shojo ou shonem (!). O "SEINEM" – este gênero é dedicado aos esportes e a temas relativos ao trabalho. Mas uma vez uma temática adulta com visual herdado de estilos já citados. Mas não há outro estilo mas "retalhado" do que o "HENTAI"; o hentai é mais antigo do que se imagina… não vou fazer menções históricas pra não correr o risco de dar informações incorretas – isso vai requerer mais uma coluna. Se vocês forem parar pra observar os hentais atuais com olhos artísticos, verão que ele reúne todos os estilos correntes na atualidade – do shoujo ao gekigá e com todas a mutações de arte-final e enquadramento.

O "MANGALÓIDE" – Palavrinha esquisita esta não é?! Eu estava no inicio do meu treinamento com técnicas de desenho – isso foi quando eu tinha uns 11 anos -, quando eu li esta expressão num artigo de Franco de Rosa, da revista "curso pratico de desenho manga nº 13" e o artigo, intitulado "A síndrome do mangalóide" falava dos traços inseridos em algumas publicações do selo "image comics" – darkness, wichblade, fathon… – que de certa forma "clonava" o estilo mangá incorporando-o ao "jeito americano de fazer hq's"; Neste caso nos falamos de estruturas corpóreas, olhos grandes e brilhantes, como ex… E as famosas "seqüências cinematográficas". Lembram da definição sobre manga que eu dei anteriormente?? Pois bem, o mangá original é dotado de ritmo. Como eu disse e deixei bem claro, o mangá está evoluindo e isso o levará a modificações pois, a partir do momento que ele transpôs as fronteiras japonesas ele entrou em contato com inúmeros outros estilos… O que houve foi uma "recíproca de experiências", e cada qual a incorporou de uma forma. Há interesses comerciais nisto?! Claro que sim!! A interesses artísticos aqui?! Também há!! O que não pode ocorrer, é ser posto no mercado um produto com o "rótulo" de mangá e ele não seguir os padrões originais que o destacam como tal – narrativa, enquadramento, estrutura corpórea. Isto é inadmissível e ninguém deve aceitar uma "coisa" dessas. Entretanto, criar o seu próprio estilo "alternativo" eu acho valido!! Afinal de contas, o espírito artístico do ser humano não tem fronteiras!! Bem galera, aqui eu encerro o meu primeiro artigo – feito com um pouco de pressa, mas ainda sim, feito de bom gosto e com dedicação – espero que vocês tenham gostado de tudo que eu escrevi. Não estou aqui pra dizer o que é certo ou o que é errado. Estou aqui para passar e trocar informações, ok?! Qualquer erro incondicional ou sugestões, me falem!! Tudo de bom pra vocês e FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUI!!

Contato: Rafael Curtinhas | condeclow.murder@hotmail.com

Portfólio: http://www.kakurembo.zip.net | http://ronimbraileiro.deviantart.com/

Fonte: revistas "curso prático de desenho - mangá nº13" e "como desenhar mangá nº7"

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