Por Rotoy Santos
O primeiro artigo!
Pensei por uma semana inteira sobre que assunto escreveria para inaugurar minha humilde participação nos artigos da EL.
Pensei de cá, pensei de lá, pensei daqui e acolá; e não cheguei a nenhum lugar comum, lugar onde todos os meandros de nossa mente convergem para um mesmo fim... Resumindo: continuava indeciso sobre o que escrever.
Pois bem, desisti; foi aí que surgiu o assunto, quando estava debaixo do chuveiro! :P***
Farei uma explanação neste primeiro artigo sobre os aspectos artísticos que envolvem a edição de um roteiro. Com uma série de questões, procurarei mostrar porque na receita da edição de um bom roteiro sempre existirão boas doses de arte.
Inicialmente gostaria de dizer que faço uma separação entre edição e criação de um roteiro; considero a edição um processo de construção do roteiro como ferramenta de trabalho do desenhista. Já a criação concerne à estória do roteiro em si, a criação de personagens, ambientes, tramas, ganchos e coisas do tipo. Isso é muito importante explicar, caso contrário tudo que digo abaixo não faria muito sentido!
A primeira coisa que todo o roteirista deve ter em mente é que não se edita um roteiro para ele ler; o roteirista edita um roteiro para um desenhista ler. Por isso, não se deve editar um roteiro cheio de convenções do roteirista, ou seja, fazer uso de signos que fazem sentido somente para ele. Então, ao editar um roteiro, o roteirista deve ter completa consciência de que ele está escrevendo para outra pessoa e não para ele mesmo; quando essa consciência guia o roteirista, obtém-se como resultado um roteiro de fácil compreensão, e conseqüentemente, haverá uma melhor assimilação do conteúdo por parte do desenhista, mitigando assim as possíveis e muitas vezes inevitáveis falhas no processo de criação. Eu chamaria a isso de a arte de pensar no outro...
Na edição de um roteiro é muito importante fazer uso das rotinas técnicas (close-up, close-shot, primeiro plano, segundo plano e etc), pois são informações muito valiosas para o desenhista. Mas também não se pode ficar preso tão somente às rotinas técnicas; entra em ação a arte de inventar e inovar, pensar nos quadros de uma forma diferente; essa forma diferente de ver as cenas, caso seja realmente inventiva e/ ou inovadora, implica em descrever com muito cuidado um quadro para o desenhista, já que uma rotina técnica será insuficiente e talvez completamente ineficaz para descrever a visão. Na verdade o processo de criação de um roteiro como um todo requer invenção e inovação constantes para obter um diferencial, mas isso é assunto para outro artigo!
Outra arte que um roteirista deve possuir em seu trabalho é a arte de improvisar. Ouvimos muito essa palavra relacionada ao teatro, mas o improviso é uma arte comum em todos os ambientes de trabalho. Ao longo do desenvolvimento de edição de um determinado roteiro o roteirista pode se deparar com certos acidentes de percurso, problemas que passaram desapercebidos ou que surgiram inesperadamente. De nada adiantará ficar se culpando e sofrendo pela falha cometida; deve-se tomar uma atitude para corrigir a falha da melhor maneira possível. Um roteirista deve ter em mente que nada é perfeito – isso é muito importante, coloca em comum o que se tem de terreno.
Alguns quadros requerem mais do que uma simplificada descrição; nesse ponto o roteirista deve possuir uma arte bastante curiosa: a arte de encantar. Sim, é isso mesmo! O roteirista deve descrever o quadro de uma forma que encante o desenhista, que faça o desenhista se envolver profundamente com a parte da estória em questão; isso fará com que o desenhista sinta o clima da cena imaginada pelo roteirista, e conseqüentemente, consiga desenhar com toda a intensidade que o quadro pede, ou melhor, com a intensidade que o quadro exige.
Mais uma arte que o roteirista deve ter em apreço é a arte de provocar. Isso se refere às paginações, editar um roteiro que provoque o leitor a virar as páginas; sempre. Ou seja: saber colocar os quadros certos nas páginas certas. Isso é muito importante, e valoriza a estória do roteiro.
E antes de qualquer coisa, a edição de um roteiro requer a arte de imaginar, a arte de imaginar planos, gostos, ângulos, balões, localização de textos, paginações, diagramações, dentre tantos outros objetos que envolvem a edição de roteiros. A arte de imaginar é também a chave mestra das demais artes acima expostas.
No mais, é isso! Com toda a certeza devo ter esquecido de algo... Qualquer coisa, vou acrescentando mais informações no artigo.
Espero que esse artigo tenha sido de valor para quem pretende trabalhar com roteiros. São pensamentos meus, surgidos de minhas experiências com roteiros, e portanto, não são pensamentos extremamente técnicos ou de roteiristas renomados, mas são de coração. ;D
Grande abraço a todos!
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